Primeiro mês na Irlanda – impressões

E aí galera, quanto tempo hein!

Tenho andado meio sumido por aqui (acabei de reparar que meu último post foi poucos dias após chegar aqui…é, o tempo voa), mas resolvi voltar para falar um pouco sobre esse meu primeiro – e intenso – mês em Dublin. Desta vez, prometo ser mais suscinto do que fui naquele post (Se você ainda não leu, tá aqui o link – só é meio longooo, mas garanto que vai valer a pena).

Bom, não dá para falar de tudo mesmo. É impossível tentar transmitir tudo por aqui, portanto resolvi transmitir em alguns tópicos o que tenho vivido nessa cidade.

1) Home, sweet home

Quem acompanha o grupo Classificados Dublin no Facebook sabe a loucura que está a procura por casa nessa época. Graças a Deus, tenho a sorte de ter um irmão que vivia aqui há algum tempo. Então, correria atrás de casa? ainda não. Vivo um pouco afastado do Centro – demoro cerca de 25 minutos da minha casa até lá de ônibus – na região de Beaumont, em Dublin 9 (para entender mais essas paradas de Dublin 1, 6, 20, 24, clique aqui). É um bairro tranquilo, não se veem muitos estrangeiros por essas bandas (na verdade é um bairro com um grande número de idosos).

Um pedaço do bairro que vivo, Beaumont

Um pedaço do bairro que vivo, Beaumont

Apesar de ser um bairro “irish”, por assim dizer, moro com mais seis brasileiros. O que é bom, em minha opinião. Quando quero praticar o inglês, geralmente visito um amigo irlandês que mora na vizinhança. O povo do bairro é muito fera!

O grande ponto fraco daqui é a distância com relação ao Centro (onde ficam as escolas e – geralmente – os trampos). O jeito é ir de bike ou de bus. A primeira opção é a melhor, mas ainda tenho um pouco de receio de andar de bicicleta por aqui – nenhum problema da cidade não que, por sinal, prioriza bastante as bikes. É coisa minha mesmo. O negócio então é optar pela segunda. O problema? É um pouquinho salgada para o bolso. Um ticket de cinco dias no busão custa vinte euros. O de trinta? Cem. Quem é intercambista sabe o quanto esse dinheiro vale por aqui.

Essa carteirinha permite um desconto pequeno no busão (para quem mora longe do Centro é uma mão na roda)

Essa carteirinha permite um desconto pequeno no busão (para quem mora longe do Centro é uma mão na roda)

2) Os irlandeses

Quem acompanhou meu relato inicial aqui na capital da Ilha Esmeralda, viu que tive duas experiências fantásticas com o povo irish assim que cheguei. Durante essas semanas aqui, tive vários outros momentos em que senti o calor e a receptividade dessa população, mas também não vale generalizar. Alguns poucos destoam, como em todos os lugares. Aqui em Dublin enfrentei pela primeira vez em minha vida, não mais de forma velada como era no Brasil, o racismo. Em duas situações, tive de aguentar gritos de “negro bastardo” (bastardo ou “bastard” é uma palavra pesada para eles) e até imitações de macaco enquanto caminhava pelas ruas. Nada porém que abalasse a minha certeza de que, no geral, os irlandeses são bem receptivos.

Os grupos problemático deles, e que eu tive de lidar nesses casos, recebem a alcunha de “knackers”. São, literalmente, vagabundos. Recebem auxílio do governo, não fazem nada e não querem fazer. A vida deles é perturbar a vida de todo mundo aqui, não importa a nacionalidade (se bem que eles realmente não gostam de estrangeiros. Acham que viemos roubar os empregos e as meninas deles). Felizmente, no meu bairro, a presença deles é raríssima. Costumam marcar presença no Centro e regiões próximas. Ainda não levei ovada deles na rua aqui mas, pelo que me falaram, já estou me preparando para isso.

É, essa aí era gatinha até...haha

É, essa aí era gatinha até…haha

A maioria dos brasileiros que veem para cá fica completamente fascinado com as fotos de irlandesas que encontram na internet e acham que todas as mulheres aqui são lindas (confesso, eu era um deles). Doce engano. Claro, em algo tão subjetivo quanto isso sempre vai ter os que se encantaram com as irishs. Eu pelo menos confesso ter ficado um pouco decepcionado. Algumas são realmente muito lindas, mas no geral…vale elogiar a nossa mulher brasileira.

PS: Agora quanto às espanholas e italianas que vi por aqui…outros quinhentos.

3) O inglês

Apesar de nunca ter feito curso de inglês no Brasil, consegui desenrolar muito bem o inglês neste primeiro mês. Confesso que entender irlandês falando não é nada fácil (especialmente por telefone), mas com o tempo o ouvido vai acostumando. Já perdi serviço de jardinagem por não entender bem o que a senhora do outro lado da linha queria dizer – falarei mais sobre esse serviço e a questão do emprego aqui mais para a frente. É meio complicado. Se quiser já ir se familiarizando com o ‘irish accent’ confira o vídeo abaixo:

Tenho procurado não ficar muito na zona de conforto de só querer falar português e ter medo de ir na padaria da esquina pedir informação em inglês. Cada pessoa que encontro numa parada de ônibus é a chance de puxar conversa em inglês, cada gringo que encontro na igreja é uma chance, cada vez que vou entregar o CV (não custa nada fazer umas perguntas a mais, puxar mais uma conversa com o/a manager – é até bom para deixar uma boa impressão ali). Tem muito brasileiro aqui? Tem demais, em cada metro quadrado tem um. Mas tem muito irlandês também, muito inglês, indiano, africano, espanhol, chinês, coreano, malauí, nigeriano, americano, etc. Então, não tem desculpa.

A escola também é uma oportunidade para quem tá chegando. Eu ainda não comecei os estudos (o rolo é grande e a história é longa), mas sinto que já melhorei bem o inglês desde que cheguei. Ou, ao menos, perdi o medo de falar – o que eu carregava muito no Brasil.

4) Os trampos

Ah, o tal do job. A isca que me atraiu para Dublin e que até hoje me faz ficar com os fios em pé. Galera, vou logo ser sincero aqui: não é nenhum pouco fácil arranjar emprego aqui. Na verdade, digo mais: é muito difícil. Me disseram que vim em uma hora boa de achar. Bom, já entreguei 64 currículos aqui (sim, 64) e até agora…Mas, como tudo na vida, isso também vai depender de sorte, esforço e determinação. Nesses 31 dias na Ilha Esmeralda, já trabalhei por um dia em um lava-jato – experiência que não recomendo. A galera trabalhava que nem burro de carga, pra ganhar pouquíssimo por semana e ainda tomar esporro de um chefe indiano O TEMPO TODO! Depois que soube que ganharia 65 euros por semana se trabalhasse domingo – o dia inteiro – e durante a semana – entre 1 e 7pm, resolvi sair na hora. Não me arrependo.

Melhor ideia que eu já tive aqui

Melhor ideia que eu já tive aqui

Lembram do irlandês que conheci no ponto de bus? Pois bem, o cara me ajudou demais desde que cheguei. Ele tinha me sugerido fazer um cartaz sobre serviços de jardinagem e me indicou alguns pontos e casas do bairro para colar e/ou entregar. Resolvi correr atrás disso. Fiz a arte, imprimi várias e várias cópias e fui fazer a loucura pela vizinhança. Não é que deu certo? Consegui dois serviços de jardinagem em um período de seis dias. Um deles, é quase certo que será fixo por um bom tempo. Para completar, comprei nessa semana um espaço em um jornal local para anunciar meus serviços por DOIS MESES. Acho que dá para conseguir uns serviços, concordam?

Um dos jardins tranqueira que peguei aqui em Dublin. Mas já rendeu um dinheirinho legal

Um dos jardins tranqueira que peguei aqui em Dublin. Mas já rendeu um dinheirinho legal

O negócio é esse. Metam a cara, não sabe falar inglês? Gesticula, mas vai atrás. Sabe fazer alguma coisa como jardinagem, limpeza, etc? Tenta fazer o que fiz. Creio que tem grande chance de dar certo. Fiz até agora três entrevistas aqui. A primeira era para uma instituição de caridade (trabalho não remunerado) e eu não sabia. A segunda era para um curso feito pelo governo que fazia o encaminhamento dos alunos para empresas na cidade. Tudo certinho, bonitinho, fomos (eu e um amigo meu) lá para o final da cidade quase (Dublin 24) fazer a entrevista? Ganhamos os papeizinhos. “É agora, vamos conseguir essa parada”, até que…tínhamos que receber um carimbo do Intreo, agência governamental que auxilia os desempregados. Voltamos até a Parnell Street, no Centro, para tomarmos um não. O encaminhamento só era feito para quem tinha visto Stamp 4 (nós, meros intercambistas de Stamp 2, não receberíamos a chance).

Tá aí o local que a gente foi!!! Jobstown - Dublin 24. Literalmente, a última zona da cidade

Tá aí o local que a gente foi!!! Jobstown – Dublin 24. Literalmente, a última zona da cidade

A terceira entrevista eu fiz na tarde de hoje, em Summerhill, perto da Spire (um local não muito recomendável por aqui e um dos mais perigosos) para a vaga de cleaner (traduzindo, faxineiro). Foi muito boa, mas…tem concorrência pesada. Torçam aí por mim. Tenho outra marcada para segunda-feira. Essa já é para uma função melhor (assistente de loja) e, claro, bem melhor para praticar o inglês. Conto com o apoio de vocês.

5) A cidade

Depois que cheguei aqui passei por um processo de desilusão. Sabe aqueles lugares que todo mundo falava que eram lindos no Brasil? Grafton St, O’Connel, Spire, Temple Bar e Liffey River? Pois bem, assim que coloquei o pé no Centro pela primeira vez não senti absolutamente nenhuma atração por esses locais. Muito pelo contrário, são os lugares que menos gosto de ir aqui. Extremamente lotados, com um certo grau de desorganização e tudo o que possuem são lojas, lojas e mais lojas. Para quem gosta dessa agitação, talvez seja o paraíso. Eu odeio, não sou de ficar gastando com compras e estou começando a criar uma repulsa por aquela área. É uma pena o Centro ser o ponto de encontro de todo mundo na cidade, então acaba sendo inevitável estar por ali.

De pontos positivos ali no Centro estão os buskers, os famosos artistas de rua. É muito legal parar um pouco ali naquela agitação infernal e curtir o som (ou o que quer que estejam fazendo) ali. Ah, claro, tem a Penneys – loja de roupas oficial dos intercambistas sem grana – com peças a preços inacreditáveis.

Aula de beat na Grafton

No geral a cidade é fantástica. Na minha opinião, quanto mais longe do Centro você vai, mais bela e organizada ela fica. Gosto muito de caminhar pela região onde moro. As casas são incrivelmente lindas, todas com jardins bonitos (ou pelo menos a maioria), e os parques aqui são verdadeiros pedaços do Céu – tudo organizadinho. Diferentemente de muitos outros intercambistas (a imensa maioria), que aproveita os primeiros dias aqui para passear pelas praias do condado ou até para fazer viagens até Belfast ou Cliffs of Moher, eu ainda não sai da cidade – talvez isso influencie um pouco minha visão do intercâmbio até aqui.

Agora entendem por que prefiro o subúrbio né? Jardins em Dublin 9

Agora entendem por que prefiro o subúrbio né? Jardins em Dublin 9

Não vejo a hora de conhecer Wicklow, Bray, Howth, Malahide, Belfast, Derry, Galway, etc. Mas tudo ao seu tempo. Coloquei meu foco primeiro em conseguir um trampo e resolver tudo o que concerne a documentação e visto. Como alento, tive a chance de conhecer o Phoenix Park (não inteiro, porque o lugar é imenso – não a toa é o maior parque urbano da Europa).

6) A experiência

Colocando tudo na balança, só posso agradecer a Deus por esse primeiro mês de Ilha Esmeralda. Vivi momentos bons, ruins, engraçados, mas o importante é que vivi. Virei alvo dos nanás, tomei esporro de indiano, lavei carro, cortei grama, me perdi na cidade, perdi a conta de quantas vezes saí encharcado nas chuvas, senti frio no verão, fiquei sem entender os irishs algumas vezes, passei vergonha junto com chinesas na área do Temple Bar, já fiquei animado, já fiquei desanimado, conheci muita gente, fiz algumas grandes amizades em tão pouco tempo. Mas, acima de tudo, eu vivi. Vivi essa experiência e posso dizer: está só começando! Que venha o segundo, o terceiro, o quarto, o sexto, o nono, o décimo mês e muitos outros pela frente. Já posso dizer que não sou mais o mesmo.

Galera, que já tô aprendendo a amar, da Drumcondra Adventist Church

Galera, que já tô aprendendo a amar, da Drumcondra Adventist Church

Chegamos juntos no mesmo voo, vivemos juntos os momentos bons e ruins aqui e formamos quase uma família. Valeu por tudo Silvia e Paulo.

Chegamos juntos no mesmo voo, vivemos juntos os momentos bons e ruins aqui e formamos quase uma família. Valeu por tudo Silvia e Paulo.

Aquele abraço galera. Como é meio difícil escrever textos tão grandes assim sempre, creio ter sido esse meu último grande relato pessoal na Irlanda em um bom tempo (quem sabe no fim de seis meses ou um ano não escrevo outro). Só se vocês insistirem bastante!!! Quem quiser manter contato só me adicionar no facebook (link) ou escrever para guilherme.ocarioca@hotmail.com. Nos vemos por aí.

Colabore com a qualidade do nosso conteúdo, comunicando erros em: gringosbrasileiros@outlook.com

Anúncios

5 comentários sobre “Primeiro mês na Irlanda – impressões

    • Guilherme Cavalcante disse:

      Bom, do tempo em que escrevi isso até hoje, as irlandesas melhoraram um pouco no meu conceito. Mas ainda continuo com uma opinião forte. Eu valorizo demais o sorriso em uma mulher, DEMAIS! Sim, é verdade, boa parte das irlandesas são lindas de rosto. O problema é quando chega no sorriso. Trabalhei três e meses e meio entregando jornal pelo Metro. Trampei em uma estação perto de Tallagh, em Dublin 24, e na cidade de Skerries, perto de Drogheda. Eram áreas em que, praticamente, só irlandeses e irlandesas passavam. Quantas mulheres bonitas passavam por mim todos os dias! O problema era quando sorriam. Aqueles dentes verdes, já vi marrom e até preto! Ave maria! Parece até que não vendem pasta de dente aqui. É horroroso! É só isso pra mim que embaça! Nesse quesito, as brasileiras – no geral – dão show. E também no quesito corpo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s