O paraíso no lago: conhecendo Genebra/Suíça

What ^ folks? Aqui estou eu novamente. Sim, o cara que escreve sem parar (mal de jornalista, que posso fazer?).

Da última vez, escrevi sobre a minha experiência nas Nações Unidas, onde apresentei um projeto no Social Innovation and Global Ethics Forum (Sigef) e no Future of Human Rights Forum entre outubro e dezembro de 2014 (Você pode ler mais sobre esse relato aqui). Desta vez, vou me referir exclusivamente a minha jornada na cidade de Genebra. Passeios, visitas a pontos turísticos, preços, cultura local etc, etc e etc.

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Como você viu no último post, estive por duas vezes na cidade suíça em 2014. A primeira entre os dias 18 e 26 de outubro; e a segunda entre os dias 09 e 11 de dezembro. Genebra é famosissíma por ser a sede diplomática e política do planeta. Muito pela situação histórica de neutralidade e paz na Suíça – o que você pode perceber nitidamente em alguns dias ali. Mas acabei descobrindo muito mais ali. Mas vamos ao começo.

E o começo de tudo, é claro, foram as passagens. Confesso que não me preparei para o que vinha para a frente, na primeira ida a Genebra. Totalmente absorto na preparação para o congresso, acabei esquecendo de uma coisa: o custo de vida na “Cidade da Paz”. Pra começar vem os bilhetes. Se você der muita sorte, como eu dei na segunda ida, pode encontrar passagens de ida e volta, saindo de Dublin, por cem euros (Sim, isso é um milagre!). Quem mora ou morou aqui na Europa sabe que esse valor é alto considerando os preços regulares para distâncias parecidas. Na primeira vez o preço saiu na média, uma bagatela de 147 euros. E, olha a besteira do inocente, levei apenas 60 euros no bolso. Já que tinha acomodação e alimentação para os oito dias da minha estadia, teria poucos gastos – imaginava o bobão aqui! Acontece que Genebra é a quarta cidade mais cara do planeta (Atrás de Tóquio, Osaka e Moscou) e um euro vale apenas 1,19 franco.

Boliche com os brasileiros

Com isso lá se foi o inocente. Após duas horas num voo da Aer Lingus aterrisei em Genebra. Estava fazendo um calor dos bravos considerando a época do ano. Nos meus três primeiros dias ali a temperatura média foi de 20ºC (completamente inacreditável) durante o dia. O meu primeiro dia foi de repouso. Passar uma noite sem dormir no aeroporto acaba com você. Fiquei abrigado na casa de um casal brasileiro – sim, nós estamos espalhados em absolutamente todos os cantos deste mundão – e tive a chance de conhecer uma turma brazuca excelente, com direito a boliche.

A aventura mesmo em Genebra começou no segundo dia. Um domingão de sol. Inacreditáveis 24ºC. Estava hospedado em Onex, um subúrbio um pouco distante do Centro. Apesar da “Cidade da Paz” ser extremamente pequena (apenas duzentos mil habitantes), teria de pegar o trem todos os dias se quisesse ir para o Centro ou para as Nações Unidas. Ai veio o primeiro baque: o ticket diário de trem (ou melhor tram, que tá mais pra um bondinho que circula pelas ruas), válido a partir de nove horas da manhã, custava oito francos (algo em torno de 6,50 euros). O passeio começou pela Praça da Bastia, local que abriga o Muro dos Reformadores e a Universidade de Genebra. O mais encantador, porém, foi o “xadrez tamanho GG” que encontrei na praça. Gastei uns bons minutos ali jogando. Apesar da beleza dos monumentos antigos, especialmente do Teatro e do Conservatório Municipal localizados imediatamente a frente da praça, a praça é só um aperitivo do que realmente vale a pena – a Vieille Ville (Cidade Antiga). Ela fica logo ao lado da praça, mas quem disse que é fácil assim chegar lá? Haja disposição pra encarar uma lomba (tô andando muito com gaúcho hein)!

Ao chegar a Cidade Antiga, vale parar para tirar umas fotos no banco mais longo do planeta (sim, está no Guinness! 120 metros de comprimento). Foi o que eu fiz. A entrada fica logo a frente. A Vieille Ville parece coisa de cinema – enquanto andava ali lembrei bastante do filme O Turista, com Johnny Depp e Angelina Jolie. Ruas apertadas, restaurantes e cafeterias com mesas rústicas do lado de fora e prédios antigos. Um cenário perfeito para os amantes de arquitetura e história clássica. Logo no comecinho da área, está a sede internacional da Croix-Rouge (se virem no francês ai).

Descendo ladeira abaixo vem o principal destino ali na vila: a Catedral de São Pedro. Sei que você deve estar pensando: “tá, mais uma catedral? Isso tem em todo o canto”. É verdade, mas essa tem um diferencial – pelo menos para os amantes de história, como eu. Ela foi o coração pulsante da Reforma Protestante na Europa. Apesar de não ter sido o berço, nem a primeira cidade alcançada pelos ideais de Lutero, foi em Genebra que a Reforma encontrou abrigo das constantes ameaças do Estado e arregimentou forças para atingir todo o continente e mundo. O grande nome ali é João Calvino, importante reformista que fez da Catedral seu quartel-general. Ao redor da Catedral, existem alguns museus e a Capela de Calvino.

Descendo da Cidade Antiga, já estava pertinho do lago. Na verdade, quase esqueci de relatar, é possível ter uma visão panorâmica de Genebra e seu lago a partir da Torre Norte da Catedral. O que fiz no meu terceiro dia na cidade. O ticket custa cinco francos, mas é válido. Não esqueça de levar sua câmera. O Lac Gèneve é algo simplesmente inexplicável. Até hoje me custa acreditar que, em pleno Centro de uma cidade desenvolvida, é possível ter um lago e um rio com águas transparentes. Fiquei horas só olhando para aquilo. Claro que também dei uma volta na orla do lago, repleta de prédios antigos e fachadas de hoteis caríssimos. Vale dar uma passada no L’Horloge Fleurie (Relógio Florido).  Porém, a grande estrela do lago, inegavelmente, é o Jet d’eau. Uma estrutura que solta jatos d’água numa altura de 120 metros, localizada bem ao centro do Làc. Como o dia estava quente e limpo, aventurei-me em passar por debaixo do jato. A água é extremamente gelada e vem a mil. Mas vale a pena. O que mais lembrarei dali, no entanto, é o arco-íris incrivel formado a partir do contato das gotículas do jato com a luz do Sol. Meu…não dá pra descrever. Um passeio de barco no lago fechou com chave de ouro aquele momento. Ajudou bastante o fato do ticket que comprara mais cedo valia para todos os transportes públicos de Gèneve, inclusive o barco.

Na segunda-feira, mais um dia de Sol. Era hora, no entanto, de explorar outras áreas da cidade. Fui a Jonction, ver uma das cenas mais marcantes da cidade – havia lido sobre ela nos escritos de uma famosa escritora norte-americana chamada Ellen G. White – a junção entre os rios Rhône, de águas cristalinas – que vem do Lago – e o Arve, de águas barrentas em decorrência do calvário liberado nas montanhas do sudeste francês. Mais um passeio de tram, menos oito francos no bolso, e mais paisagens lindas. Após caminhar – e subir mais uma lomba – cheguei a uma ponte cuja vista para os rios era bem clara. E que cena meus caros! Muitas aplicações se podem fazer daquilo. Fiquei ali uns trinta minutos conversando com meu amigo que me guiava pela cidade e observando aquelas águas claras se juntando às escuras, formando um só rio de aparência pastosa. Logo ali do lado estava o Zoológico de Genebra. Foi legal dar uma passada por lá, mas já adianto que não é nada muito diferente do que você veria em um zoologico de sua região. Mais uma andada boa até a estação de tram e o dia já estava perto do fim.

 

No restante da minha primeira estadia em Gèneve, o tempo para passear era bem curto. Tinha um congresso pela frente e tive de desligar o botão turista. Depois com o tempo, descobri que tinha visto praticamente todos os pontos turísticos da “Cidade da Paz”. Porém, ainda faltava um, talvez o principal – sem dúvida o mais conhecido. A Organização das Nações Unidas. E, quase na véspera, da minha volta a Dublin tive a chance de conhecê-la. Como falei no outro post, toda a região das Nações emana diplomacia e internacionalismo. Em questão de um quilômetro de caminhada encontrei inúmeras organizações mundiais vinculadas à ONU. Unicef, WMO, OMM, ITU, UNCHR…e a lista segue. Todas na mesma região. No Centro do bairro, está a Praça das Nações, onde fica a famosa cadeira quebrada (projeto das Nações Unidas iniciado em 1997 para pedir a interdição do uso de minas terrestres). Foi para lá que fui. Após alguns minutos ali na praça, parti para o Jardin Botaniques – que deveria estar em seu roteiro na cidade. Além do verde e das belezas naturais típicas de um jardim botânico, ele possui uma “entrada secreta” perto de seu final que dá para o lago. A visão é linda. Se o céu estiver limpo, você verá perfeitamente o Mont Blanc – maior pico da Europa – localizado a cerca de 90km de Genebra. Vale sentar em um dos bancos ali e admirar a paisagem. Foi o que fiz, nem me lembro por quanto tempo. Só sei que não queria mais sair dali.

O último “must-visit” lugar da lista acabei por conhecer somente na minha segunda ida a “Cidade da Paz”. O principal, é claro, desta vez de maneira mais detalhada. Por um valor de dez francos, tive a chance de conhecer – por dentro – todo o prédio da ONU. Do ponto de vista histórico e de importância cultural, é talvez o passeio que mais me marcou ali. Sem dúvida, não é o mais bonito, mas só de estar dentro do edifício mais importante do planeta. Faltam palavras. O destaque lá dentro fica por conta da Sala da Aliança das Nações e dos Direitos Humanos. Bom, eu realmente não sei descrever o que é aquela arte no teto, mas caramba como é impressionante!

 

Como plus, tive a oportunidade de visitar a Faculdade Adventista da França, que fica bem na fronteira entre o país e a Suíça. É importante lembrar que Genebra é rodeada pela França. Vários dos onibus municipais, inclusive, ultrapassam a fronteira durante seu trajeto. A Faculdade fica ao pé do Monte Salève, numa vila minúscula que leva o nome da montanha: Collonges-sous-Salève. Sendo cristão ou não, recomendo esse passeio – especialmente se você quer perder uns quilinhos, a lomba (êêêhh gauchada) é das braba! E, para chegar a vila, basta pegar um ônibus municipal que sai do centro de Genebra. Molezinha. Ou não. É, você ainda terá de andar mais uns vinte e cinco minutos. Mas a vista lá em cima é fantástica. É possível ver todo a cidade e o vale de Genebra, inclusive o Jet d’eau.

No saldo, Genebra é uma cidade recomendada sim para visita. Mas…não, não se mate para conhecê-la. Se você estiver viajando por perto (França ou Noroeste Italiano) ou você realmente tem uma excelente reserva financeira, tranquilo! Se não, opte por outros lugares. A cidade é caríssima. A hospedagem mais barata te custará trinta euros a diária. Alimentação em restaurantes então, nem se fala. Enfim, tudo é caro. Em dois dias, você consegue conhecer tranquilamente todos os principais pontos turísticos de Genebra e ainda terá um vislumbre bem legal da cidade. Eu ainda não tive a chance de visitar outros locais na Europa fora aquela região (descrevei em outro post um passeio que fiz para os Alpes Franceses – Annecy e Le Chinaillon – distantes apenas 50km de Gèneve), mas tenho certeza que dificilmente encontrarei um local com a qualidade de vida e a estrutura de Genebra. Pode não ser o melhor lugar para se fazer mochilão ou turistar, mas certamente é o melhor para se viver – o que acabei atestando após procurar a lista das cidades com maior qualidade de vida do mundo; Genebra está sempre em primeiro ou em segundo lugar. Então prepare seu francês – pelo menos arrisque, boa parte da turma fala inglês, mas eles gostam de um esforço na língua deles – e é hora de você escrever sua aventura pela “Cidade da Paz”.

 

PS: Preciso reconhecer um vacilo meu. Se você for passear por Genebra, não faça como eu e compre um bilhete de trem para conhecer Lausanne e Montreaux. Ambas estão localizadas também a beira do lago e num raio de cem quilômetros de Genebra. Lausanne é a sede internacional das Olimpíadas (você poderá conhecer o Museu Olímpico) e Montreaux é famosíssima pelo Festival Internacional de Jazz, sediado na cidade anualmente. Os tickets de ida e volta para as cidades variam entre 43 e 58 francos.

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