Dois dias nos Alpes: além da neve!

Fala pessoal, tudo certo?

 

Bom, esse é o último post sobre a minha série de trips para Genebra e região durante os meses de outubro e dezembro. E talvez essa seja a trip mais significativa de todas. Realizei um sonho de infância, que era conhecer os Alpes, e ainda tive a chance de ver neve pela primeira vez na vida. Se você ainda não viu os outros posts que fiz sobre minha experiência na ONU e meus passeios em Genebra, ainda dá tempo. Vá lá e volte rapidão meu filho!

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A jornada começou no dia 12 de dezembro de 2014. Como falei no post sobre a experiência na ONU, chegara na Suíça sem saber onde iria dormir durante as minhas cinco noites ali. Na primeira noite, dia 09, dormira no sofá da sede da organização The Future of Human Rights Forum. Após encontrar mais um abrigo no dia 10, tive de me contentar com as cadeiras do aeroporto de Genebra no dia 11. Nunca me senti mais mochileiro do que naquele momento. Tristeza? Nadica. Conheci gente demais nessas andanças sem rumo. Mesmo com pouco dinheiro, resolvi que tinha que fazer alguma viagem pela região. A dúvida era só para onde: Lausanne ou Annecy, na França. Após consultar os preços e conselhos de locais, resolvi optar pela última. Ainda bem! Na manhã do dia 12 estava partindo de ônibus para a “Veneza dos Alpes”. Tentem imaginar a cena. Não havia tomado banho no dia anterior, dormira no aeroporto, estava carregando uma mochila clássica de ‘mochileiro’ e uma bag com uma câmera. Não precisava pensar muito para saber que eu era um turista dos mais perdidos ali. Sem saber um “a” em francês, parti para me aventurar na cidade. Tinha uma noção vaga do roteiro, mas não tinha mapa algum do local.

Segui algumas placas e, com a ajuda dos gestos de um vendedor de uma loja de souvenir, cheguei perto do lago. Annecy é uma vila de 45 mil habitantes e dá nome ao lago que se situa em seu meio: Làc d’Annecy. Como era bem pequena, poderia percorrer todos os principais pontos turísticos em questão de horas, e andando. Após alguns minutos meio perdido – inclusive, contando com a ajuda de um tunisiano que me confundiu com um árabe (ah, longa história!) – me localizei e dei início ao meu rolê por ali.

 

A cidade é de uma beleza indescritível e faz jus ao seu apelido. É repleta de canais com águas cristalinas, vindas do lago, e também de casas e edifícios medievais. O primeiro, e mais marcante, estava bem no meio do canal – literalmente. Era o Palais D’Ile (Palácio da Ilha. O prédio, que data do décimo segundo século, era usado como prisão e possui uma história interessantíssima. Por apenas 1,70 euro tive o acesso liberado ao museu em seu interior. Encontrei desde pinturas, utensílios, ornamentos, móveis, latrinas, quartos de prisão e ambientes relacionados à história de Annecy e da prisão. Gastei cerca de 35 minutos por ali. Reconheço que uns cinco foram admirando a recepcionista. Que francesa linda!

Dali caminhei um pouco pelas ruas da Vieille Ville (Cidade Antiga) sob um cenário bem pitoresco. Ruas antigas e estreitas, repletas de lojinhas e cafeterias com cadeiras espalhadas pela calçada. O povo, sem nenhum sinal de pressa ou de irritação, se assentava naquelas cadeiras à dos canais para trocar figurinhas com amigos de longa data ou parentes. Demorei-me ali. Gostei de ver que ali, o tempo não passou! Que bom! Após subir uma ladeira (desta vez escrevi correto) bastante íngrime, cheguei ao Chateau d’Annecy, o principal museu e ponto turístico da cidade. Ele fica bem na parte alta da Vieille Ville. Logo na recepção, o primeiro problema. A moça não falava inglês. Na verdade, esse problema já estava acontecendo fazia algumas horas. Foi com dificuldades que consegui comprar alguns souvenirs, baguetes para o almoço e conquistar informações. Voltando ao Chateau, com a ajuda de gestos e até de papel e caneta adquiri meu ingresso reduzido estudantil custando 2,60 euros. Já dentro do museu, veio uma pequena decepção. Dos vários andares do Chateau, apenas um é realmente digno da visita – contendo várias esculturas históricas da região dos Alpes. Considerando o tamanho do local e o preço, uma frustração. Opte pelo Palais d’Ile se estiver com pouca grana. De recompensador mesmo, só a vista na parte externa do Museu, que rendeu boas fotos.

 

Um pouco mais acima, cerca de 500 metros do Chateau, estava a Basílica da Libertação. Algumas ladeiras extras, com direito a escadaria, e lá estava eu, no topo de Annecy. Apesar de ser gratuita e aberta a visitas, preferi deixar de lado o passeio interno no local. Sentei em um dos bancos a frente da igreja e ali fiquei por um bom tempo. O motivo? A incrível visão panorâmica de Annecy e do lago que eu tinha dali. Apesar do frio (zero grau, fora o vento), valeu a pena. Após esse ‘renascimento’ aos pés da Basílica, era hora de voltar para o centro. A história, claro, está um pouco fora de ordem. Antes de ir para a Basílica já tinha ‘almoçado’ uns baguetes de chocolate (comprei quatro baguetes gigantescos, com recheio, por incríveis cinco euros) à beira do lago. Mas, pra efeito explanatório, passo agora ao Lago d’Annecy. Ah, o lago. Novamente ali estava a água cristalina. Não consigo tirar isso da cabeça. Aquela água. Se tem algo que me marcou em todas essas trips foi a água. “Como pode ser tão limpa?”, pensava eu.

 

A vista do lago era certamente mais ‘limpa’ que a de Genebra, marcada pelos imponentes prédios de hoteis antigos e caros – cujos letreiros durante a noite embelezam demais a região central da cidade. Annecy é, praticamente, o ponto inicial dos Alpes. E ali no lago isso ficara claro. Na beira do lago, à minha frente, estavam três conjuntos de montanhas imponentes, cheias de neve. Quase que ao alcance de minhas mãos. Que cena! Gosto muito de sentar em um local e abrir mão da câmera por um pouco. Simplesmente olhar e olhar. Não pude deixar de fazer isso ali. Agradeci como pude a Deus por ter a chance de ver aquilo. A beleza do lugar é simplesmente divinal.

 

Para minha sorte era dia de Feira de Natal na cidade, e as ruelas próximas aos canais de Annecy estavam repletas de stands de madeira com vendedores e produtos de todos os tipos. Numa barraca estavam todos os queijos que eu imaginava e não imaginava que existiam. Noutra, lembranças de Qebec, a região francófona do Canadá. Em outra, diversos tipos de chocolate. Apesar de estar meio quebrado para usufruir daqueles produtos, foi maravilhoso passar alguns momentos e fazer alguns cliques fotográficos naquela feira. Sempre amei feiras. Nunca me lembro de ver gente triste ou infeliz nelas. Sempre há sorrisos. Após mais alguns passeios pelo Centro Histórico de Annecy, era vinda a hora de meu retorno a Genebra. O pôr-do-sol estava às portas e era uma sexta-feira. Resolvi voltar ao lago, sentar em um dos bancos e ficar ali até dar a hora do busão. Foi uma decisão sábia. Certamente não foi o mais belo pôr-do-sol que já vi. O dia estava nublado e não havia qualquer traço de Sol no horizonte. Porém, foi o pôr-do-sol mais marcante. Ali, à beira de um dos lagos mais lindos que já vi, somente admirando a criação de Deus. E, para minha sorte, um companheiro resolveu aparecer nessa hora. Quem diria que veria um ganso tão manso! Hora de voltar!

Cheguei ao aeroporto de Genebra pronto para dormir ali novamente, quando recebi uma mensagem de um rapaz que conheci após minha apresentação no Fórum. Ele perguntou onde eu estava e se já tinha conseguido um lugar para ficar. Falei que não. Trinta minutos depois lá estava ele – seu nome é David – com sua namorada, Florence, me esperando na entrada do aeroporto. Fiquei minhas últimas duas noites da trip na casa deles, na cidade francesa de Saint Pierre-en-Faucigny, distante cerca de 40km de Genebra. Conversa vai, conversa vem com eles, citei que um dos meus sonhos era conhecer a neve. “Ah é? Então amanhã você vai ver. Vou te levar lá”, falou-me Davi. Não acreditei. Para mim era tudo zueira.

 

No outro dia, meu penúltimo antes de voltar para a Irlanda, Florence me joga um conjunto de roupas pesadas. “Coloca elas se não você não aguenta a neve”. Caraca, ainda estava tentando acreditar. Um casal que acabara de conhecer – além de me abrigar – estava realizando um dos meus sonhos. Fomos até a vila de Le Chinaillon, que pertence a cidade de Grand-Bornand – uma viagem, de carro, que durou pouco mais de meia-hora. Apesar de saber que me levavam para conhecer a neve, não sabia que estávamos a caminho dos Alpes. Logo chegamos a beira do Monte Maroly, cerca de 1,6 mil metros de altura. E lá estava ela, a tão sonhada neve. Parecia criança, pulei, rolei, deslizei e pulei de novo sobre ela. Apesar da boa camada de neve ali, o clima era até gostoso. Fazia quatro graus naquela tarde de sábado. Seguimos uma pequena trilha rumo ao topo da montanha, mas paramos no meio do caminho. É, não esqueça que – durante o inverno – o Sol se põe às 16h. Foram pouco mais de duas horas ali em Le Chinaillon, mas o suficiente para jamais esquecer aquele lugar. Neve é felicidade!

Após a viagem, ainda fiquei mais algumas horas na França. Voltamos para Saint Pierre, onde degustei o melhor queijo da minha vida, e uma das melhores pizzas, e no outro dia parti para Genebra de trem. Era o fim da curta jornada de três dias nos Alpes Franceses e da prolongada estadia em solo suíço. Mas era o começo de uma memória que ainda não se apagou, e nem tem previsão de quando irá.

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Quer conhecer Paris? Tudo bem, eu também quero! Mas fuja do clichê um pouco. Não deixe de conhecer o sudeste francês. Desça em Genebra ou Grenoble, na França, e siga para os Alpes. Garanto, você não irá se arrepender. Forte abraço!

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