A doce vida longe do Centro

Tranquilidade, espaço e maior intercâmbio com a cultura local atraem; mas por que tão poucos optam por viver longe do Centro de Dublin?

E aí moçada, quanto tempo? Após um tempinho “de boa” resolvi voltar a escrever para o blog. Como vocês podem ver, o time de “Gringos Brasileiros” ganhou uma encorpada legal nas últimas semanas. Tudo para que você tenha maior acesso a conteúdos referentes ao sonho que você quer – ou que já conquistou – realizar.

No texto de hoje, planejei escrever pouco. Resultado? Não consegui, claro! Mal de jornalista. Abaixo, está a visão de alguém que jamais morou no Centro de Dublin (sim, isso mesmo. Jamais! Nem sequer por uma noite) sobre como é a vida na perifa da capital irlandesa.

Tranquilidade e bucolismo esperam quem procura uma vida no subúrbio. Na foto, vila de Dalkey, na região Sul de Dublin.

Desde o dia em que pisei o pé nessa Ilha gélida e chuvosa estou estabelecido no bairro de Beaumont, em Dublin 9, região norte da capital. “Por que raios você foi parar nesse lugar?”, você pode perguntar-se. Bom, a verdade é que não tive muita opção. Meu irmão já morava em Dublin há um ano e…bom, o resto é história.

Minha casa fica exatamente na setinha vermelha

Apesar de chegar um pouco contrariado com a distância do bairro para o Centro, com o passar do tempo desenvolvi um carinho muito grande pela vida no subúrbio. Hoje, não trocaria isso aqui por nenhum lugar perto de O’Connell, Grafton ou Blessington. Separei em alguns tópicos algumas das razões por não querer largar essa paz da perifa:

– Tranquilidade

Sim, eu sei que Dublin – em si – já é uma cidade tranquila (com exceção de alguns locais já conhecidos do povo como Darndale, Summerhill, Ballyfermot, entre outros), mas é bastante notável a diferença no quesito “calma” entre uma vida em um apê apertado na Parnell e numa casa espaçosa em Beaumont. A verdade é que o subúrbio, em si, já traz um ar de tranquilidade imenso. Casas grandes e bonitas, ruas mais limpas, inexistência de becos e infraestrutura organizada dão um ar de “retiro” para mim. Som de buzinas ou brigas na rua estão fora de cogitação. Entra na lista também os famosos “nánás” (apelido carinhoso dado aos piás entre 10 e 40 anos que adoram aprontar por aí, sem motivo, e dar trabalho para todo mundo. Se você está vindo para Dublin prepare-se! Você irá conhecê-los. É impressionante a facilidade em encontrá-los), cuja presença tive a sorte de jamais ver na minha vizinhança.

– Aluguel/Custo de vida

Esse é um ponto que preciso realçar: quer fugir de aluguel caro? Abra seus olhos para procurar locais mais afastados. Sim, sei que no Centro estão praticamente todas as escolas e points de rolê da galera, mas quem disse que a vida é morta no subúrbio?

Para dividir o quarto só com mais uma pessoa e morar numa casa bem espaçosa, com direito a uma cozinha “king-size”, pago menos de 200 euros por mês de aluguel. Moro dez minutos distante – caminhando – de dois supermercados imensos e baratos, Tesco e Lidl (o Tesco daqui, inclusive, está aberto todos os dias da semana de 7h até meia-noite), além de estar perto de três bons parques. Um deles, chamado Ellenfield Park, até possui quadras sintéticas de futebol abertas gratuitamente à população. Dá para imaginar porque vivo indo lá.

Claro, não posso deixar de citar os contras. Por conta da distância do Centro, gasto cerca de cem euros mensais com transporte público. O que seria facilmente solucionado se eu não fosse tão preguiçoso e adquirisse uma bicicleta. Daqui de casa para o Centro de bicicleta são 25 minutos. De ônibus, vinte. Em minha opinião? Os prós superam, de lavada, os contras nesse aspecto

– Empregos

Esse é um ponto que geralmente gera discordância nas conversas que tenho, com meus amigos, sobre a questão de viver longe do Centro. Para muitos, morar no Centro é meio caminho andado para ter um trabalho. Ledo engano! Nestes seis meses de Irlanda comecei a perceber exatamente o contrário. E, para isto, permita-me contar uma história (prometo que será curtinha):

Um belo dia, há alguns meses, resolvi dropar uns currículos em um shopping localizado a 15 minutos caminhando de minha casa, chamado Omni Shopping Centre – na vila de Santry, também em Dublin 9. Convenci um amigo e lá fomos. O cenário parecia meio desanimador. O shopping era um ovo e não conseguimos entregar muitos CVs por ali. Até ficamos animados com algumas respostas vindas de certos estabelecimentos, mas nada que nos fizesse sonhar. Até que no final da tarde DO MESMO DIA, ele me liga: “Guilherme, você não acredita cara! Acabei de receber uma ligação do Subway daquele shopping que a gente foi. Eles me chamaram para uma entrevista lá amanhã, às 11h”. Encurtando a história, ele foi e conseguiu o trampo lá. Detalhe: jamais havia trabalhado como deli staff antes.

Após essa história, permita-me concluir o assunto: é nítido, após alguns dias de entrega de CVs aqui na região onde moro (e em outros lugares afastados onde deixei também, como Blanchardstown, Dundrum, Ballymun, Ballycoolin, Swords, Skerries e Tallaght), a necessidade dos estabelecimentos de mão-de-obra e a falta de procura nesses locais. A verdade é que o Centro, com a imensa quantidade de estrangeiros que abriga, acabou se tornando um pouco saturado neste sentido. Apesar de ser óbvio a maior quantia de lojas, empresas e vagas na região central, também é claramente maior a quantia de pessoas interessadas nas vagas e, consequentemente, concorrendo com você por elas.

Já está estabelecido(a) no Centro? Ao menos tente partir para áreas mais afastadas na entrega de CVs. Pode ser que você não consiga nada, mas…o contrário também se aplica. Portanto, não considero morar longe do Centro um problema nessa questão.

– Alerta ligado

É óbvio que nem todo local fora do Centro é recomendado para se viver. Uma dica que eu dou é conversar com locais acerca de locais bons ou ruins para se viver. Você provavelmente já ouviu que, no geral, as áreas do Sul são melhores em qualidade de vida que as do Norte. Apesar de ser uma premissa verdadeira, é bom não generalizar. Regiões como a que eu vivo, em Beaumont, além de Glasnevin e Santry – só para citar algumas na zona postal em que estou estabelecido – possuem excelentes referências. Enquanto isso, áreas na parte oeste de Dublin 11, Dublin 17 (especialmente a região próxima a Darndale) e Inchicore/Ballyfermot – só para citar alguns – devem ser evitadas (custe o que custar).

Sinal de paz? Mesmo longe do Centro, Darndale é famosa pela desemprego, pobreza e violência aos quais seus moradores são expostos. No vídeo, abertura de um documentário da RTE (TV estatal irlandesa) sobre os problemas do bairro

Vale notar se a região é bem abastecida com ônibus, Luas ou Dart. Uma das coisas que mais gosto em morar aqui é o fato de ter, bem perto de casa, paradas de bus para duas das mais frequentes rotas da cidade: 14 (que liga Dundrum a Beaumont) e 16 (que liga o Sul e o Centro ao Aeroporto).

Para quem é solteiro e curte vida agitada, morar fora do Centro realmente pode ser complicado. Para casais, no entanto, não consigo imaginar lugar melhor. Quem gosta de conversar com o povo na rua, sem pressa, e quer praticar um inglês então…nem se fala! Antes de tudo, é importante planejar bem o tipo de intercâmbio e de vida que se quer ter por aqui. Mas, só uma coisa eu digo: viver longe do Centro é bão demais sô!

Espero que tenham gostado, comunique erros pelo nosso email: gringosbrasileiros@outlook.com.

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7 comentários sobre “A doce vida longe do Centro

  1. Andressa disse:

    Olá Guilherme…tudo bem? Mto bom o seu post. So fiquei com uma dúvida… estou indo morar d11…a casa fica próxima ao Jardim Botanico, um pouco para cima… essa região é boa? Senão me engano o bairro é Glasnevin, mas como você citou uma parte de d11 que nao é boa fiquei preocupada. 🙂

    • lovison disse:

      Então Andressa, morei em Dublin por um tempo também.

      Dublin 11 é um pouco mais afastado do centro, sendo que a região de próxima a Darndale e Inchicore/Ballyfermot devem ser evitadas pelo fato de ser uma região mais pobre e onde moram os famosos Knackers. Porém Glasnevim é uma região mais arborizada, e mais tranquila quando a isso. Além do mais o contato com os nativos será maior, sendo que a maioria dos brasileiros vivem no centro de Dublin.

  2. Gustavo Rocha disse:

    Ola, Guilherme. Parabens pelo blog.

    Cheguei em Dublin ha 10 dias. Sou casado e busco o que voce citou: mais espaço e sossego. Esse cenario do post ainda é o mesmo? Sua opiniao sobre o local que voce mora continua o mesmo?
    E mais importante: é realmente seguro inclusive no transporte? Minha preocupacao é minha esposa que esta estudando mas nao fala ingles.
    Obrigado desde ja.
    Abs
    Gustavo Rocha

    • Guilherme Cavalcante disse:

      Fala Gustavo. Tranquilo?

      Já faz um tempinho que retornei para o Brasil (sai da Irlanda em abril), mas continuo com a mesma opinião. Sei que o preço dos alugueis subiram um pouco, mas ainda vale a pena procurar casas fora da região central (entendida aqui por D1, D2, D7 e começos de D8 e D3). Creio que o contato com estrangeiros será melhor e a região é bem mais bonita e segura. O bairro onde vivia, Beaumont, é fantástico. Nossa, como amava aquele lugar! Mas creio que a melhor área seja D6. Não é tão longe do Centro e é uma região bem cosmopolita, cheia de universitários e pontos de contato com outros povos. Fora as casas, que são bem melhores. Rathmines é a área mais conhecida, mas Rathgar e Ranelagh também são boas pedidas.
      Creio que esse cenário do post aí continua o mesmo. Quanto ao transporte, sim, mantenho tudo o mesmo. E D6 também é bem abastecida por linhas de Dublin Bus.
      Um abraço, Gustavo! Espero ter ajudado

      Att, Guilherme Cavalcante

    • Guilherme Cavalcante disse:

      Fala Gustavo. Tranquilo?

      Já faz um tempinho que retornei para o Brasil (sai da Irlanda em abril), mas continuo com a mesma opinião. Sei que o preço dos alugueis subiram um pouco, mas ainda vale a pena procurar casas fora da região central (entendida aqui por D1, D2, D7 e começos de D8 e D3). Creio que o contato com estrangeiros será melhor e a região é bem mais bonita e segura. O bairro onde vivia, Beaumont, é fantástico. Nossa, como amava aquele lugar! Mas creio que a melhor área seja D6. Não é tão longe do Centro e é uma região bem cosmopolita, cheia de universitários e pontos de contato com outros povos. Fora as casas, que são bem melhores. Rathmines é a área mais conhecida, mas Rathgar e Ranelagh também são boas pedidas.
      Creio que esse cenário do post aí continua o mesmo. Quanto ao transporte, sim, mantenho tudo o mesmo. E D6 também é bem abastecida por linhas de Dublin Bus.
      Um abraço, Gustavo! Espero ter ajudado

      Att, Guilherme Cavalcante

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