Como é ser voluntário nos jogos olimpícos?

Estava pensando sobre o que iria escrever e, após discutir com alguns amigos, decidi escrever sobre, talvez, a melhor experiência da minha vida, que foi trabalhar como voluntário nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Abertura

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Antes de me cadastrar para ser voluntário, eu não sabia que existia tal possibilidade. Na verdade, nunca imaginei que os jogos olímpicos fossem resultantes do trabalho de tantos voluntários. Isso é surreal! A história de minha descoberta foi a seguinte: estava eu, inocentemente, conversando com um amigo quando, surpreendentemente, descobri que ele havia se inscrito para trabalhar voluntariamente nos Jogos Olímpicos. Naquele momento, fiquei perplexo e pensei “UAU, preciso disso”.

Logo que soube, eu me inscrevi. Mais precisamente, no dia 15/07/2015. Escolhi a área de Assistente do Comitê Olímpico, especificamente com o objetivo de auxiliar alguma delegação. A nação condecorada com minha presença (risos) seria descoberta apenas um mês antes de as olimpíadas começarem.

Foi a época em que eu mais olhei meu e-mail. Eu o abria diária e seguidamente, pois estava MUITO animado e ansioso para participar dos jogos olímpicos. A trajetória não foi das mais simples, porquanto para que a minha inclusão fosse sacramentada eu tive que aguardar e preencher alguns requisitos, quais sejam, esperar alguns e-mails relacionados à carta-convite, ser entrevistado pelos organizadores, participar de cursos específicos online sobre como atender da melhor forma possível os futuros clientes que estariam no Brasil, aprender a ajudar pessoas com necessidades etc. Além do mais, fiz testes e entrevistas, online, em inglês, entre várias outras etapas.

Confessor que a demora para que alguns processos acontecessem foi ruim. Seguramente, muitos voluntários como eu ficaram apreensivos em relação a ‘Invitation Letter’, a qual é, nada mais nada menos, que a confirmação da participação nos jogos. A minha Invitation Letter chegou 6 meses depois que me inscrevi.

Após receber a carta convite, tive que, repisa-se, fazer os cursos obrigatórios, também fiz os cursos facultativos, que eram através de uma plataforma online, e preenchi todos os outros requisitos já citados.

Um mês antes de os Jogos começarem, eu recebi um e-mail com o nome do Comitê que eu trabalharia durante os jogos olímpicos, e o comitê era….. New Zealand (Nova Zelândia). Jamais poderia imaginar que eu acompanharia o melhor comitê do MUNDO, isso vocês verão o porquê, quando eu contar como foi minha experiência durante as Olimpíadas. Ademais, uma família que compartilha a mesma fé que a minha (Igreja Adventista) me hospedou durante os jogos olímpicos.

Meu trabalho começou dia 14 de Julho e foi até dia 23 de Agosto. Nos primeiros dois dias, eu tive que participar de uma palestra com carga horária de mais ou menos 8 horas. Conheci, nesse ínterim, todas as instalações da Vila Olímpica, com a finalidade de ajudar da melhor forma possível o time da Nova Zelândia.

O meu primeiro contato com a delegação da Nova Zelândia foi dia 18 de julho, no qual conheci as pessoas com quem eu trabalharia diretamente durante todo aquele tempo.

Evelyn Williansom e Toni Kidwell - Delegação Nova Zelândia.

Evelyn Williansom e Toni Kidwell – Delegação Nova Zelândia.

O meu trabalho na Vila Olímpica era basicamente ajudar em tudo o que a Nova Zelândia necessitasse. No início, eu e todos os voluntários responsáveis pela delegação verificamos os quartos do prédio em que o time ficaria. Eram muitos quartos! Conto, para que tenham uma ideia, o número de andares: 11!!! Cada andar possuía 4 apartamentos e cada apartamento, 7 quartos.

Precisávamos verificar o que faltava e se havia algo danificado nos quartos, anotando tudo em papeis. De fato e infelizmente havia vários problemas, tanto que os atletas chegaram e nem tudo, ainda, fora solucionado.

Outro trabalho era reunir a chave de todos os quartos e deixá-las junto com as caixas de cada dormitório. Ademais, tínhamos que colocar as malas nos respectivos apartamentos, preparar as refeições leves para os atletas e colocá-las dentro de sacos plásticos, retirar o carro com motorista no estacionamento para que alguém da delegação pudesse utilizar e, por fim, a melhor parte, ir com os atletas aos lugares de competição, o que infelizmente acontecia pouco, contudo tive a oportunidade de acompanhá-los algumas vezes.

A vila olímpica era sensacional, linda demais, gigantesca, todos os prédios estavam decorados com as bandeiras dos respectivos países que lá se hospedavam. O refeitório era gigantesco, havia áreas de lazer ( apenas para atletas =(…).

Nunca assisti a nenhuma abertura dos jogos olímpicos antes do Rio 2016, mas, felizmente, tive a oportunidade de estar presente na abertura dos Jogos olímpicos Rio 2016 e nunca mais perderei nenhuma abertura, porque foi extremamente maravilhoso o que vi, ainda mais estando presente. A emoção é, indubitavelmente, diferente e maximizada, em comparação a assistir em casa.

Abertura

Abertura

Na abertura eu tive a oportunidade de ver algumas pessoas famosas como…

Rodrigo Faro e Marina Rui Barbosa

Rodrigo Faro e Marina Rui Barbosa

Entre vários outros atletas dentro e fora da vila olímpica, que postarei logo abaixo:

Djockovic, Marta, Paul Gasol e Felipe Wu

Djokovic, Marta, Pau Gasol e Felipe Wu

Tirei foto com a medalha da Lisa e com a de Eric Murray:

Medalhas Olimpícas da NZ

Medalhas Olimpícas da NZ

Eric Murray

Hamish Bond

Eu ganhei um cartão da máquina de refrigerante, então durante todo os jogos eu peguei refrigerantes, isotônicos, ou quaisquer bebidas da máquina à vontade. Outrossim, recebi vários pins (broches) da Nova Zelândia para troca. Minha chefe (Evelyn) várias vezes me levou para comer McDonald’s gratuitamente (ela, sendo da delegação, tinha vantagens, entre elas a de pegar alimentos de graça). Ela também me levou várias vezes para comer no restaurante principal, e essa é uma história engraçada.

Para entrar no restaurante principal, existem duas possibilidades, ou você faz parte da delegação, ou você tem um voucher especial. Minha chefe, às vezes, possuía voucher especial, mas como havia nove voluntários, dificilmente ela tinha para todos. A ideia dela foi a seguinte: ela olhou pro cara mais “louco” e falou: vou te vestir com as roupas da Nova Zelândia e lhe darei meu crachá, você entra como se fosse Neozelandês. E quem foi essa pessoa? Eu, claro. Fizemos, então, isso duas vezes. Adimito que na segunda vez foi mais fácil, pois fiquei com medo na primeira. Foi divertido!

As saídas para o shopping com o Chef de Mission da Nova Zelândia foram ótimas também, além de ter a possibilidade de treinar meu inglês, eu estava fora da Vila Olímpica, o que fazia o trabalho mais divertido.

Nossa Equipe

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No final dos jogos olímpicos veio a parte ruim, a despedida. Nunca pensei que ficaria tão triste pelo fim de um evento, queria poder voltar e aproveitar de novo, não mudaria nada. Mas veio a parte boa, eu nunca pensei em ganhar tanta coisa na minha vida.

A delegação da Nova Zelândia nos presenteou com muitos objetos. Eu ganhei onze, ONZEEEEEE pares de tênis da Nova Zelândia (Tênis de corrida, Society…), ganhei dois edredons das Olimpíadas, ganhei quatro camisetas de manga longa, duas camisetas manga curta, duas camisetas regata, um fone de ouvido sem fio bluetooth, ganhei uma mochila personalizada Rio 2016 NZ, uma bolsa de viagem personalizada Rio 2016 NZ, uma bolsa de mochileiro 120 litros, vários pins, muita experiência e amizades para muitos e muitos anos.

Os presentes são apenas para relembrar as coisas boas que passei, sempre lembrarei desse tempo pelas fotos que congelam os melhores momentos, pelas amizades que marcarão para sempre, por um Rio de Janeiro fantástico (mesmo que existam outros pontos de vista), entre várias circunstâncias que relembrarei para o resto da minha vida.

Foram momentos que ficarão marcados. Farei o possível para ir para o Japão em 2020 para trabalhar, se houver possibilidade, novamente com a Nova Zelândia. Espero que ao ler esse post você também tenha o interesse de ser voluntário, seja nos jogos olímpicos, seja em qualquer outro tipo de trabalho voluntário. Que muitos venham a se tornar voluntários e que possam aproveitar os momentos no meio da estrada, pois ser voluntário não é fácil, é preciso ser paciente e fazer sempre o melhor, dado que no final você verá as recompensas e não se arrependerá do resultado pessoal obtido.

Outras fotos durante os jogos olímpicos no rio:

Espero que tenham gostado, e peço desculpa pelo longo post.

Brasil vs Alemanha (Maracanã)

Brasil vs Alemanha (Maracanã)

Honduras x Portugal (Engenhão)

Honduras x Portugal (Engenhão)

Casal que me hospedou

Casal que me hospedou

Outros voluntários

Outros voluntários

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2 comentários sobre “Como é ser voluntário nos jogos olimpícos?

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